Perdoar para liderar

O perdão liberta a alma e afugenta o medo. (Nelson Mandela)

Os fracos não perdoam o perdão é a virtude dos fortes. (Mahatma Gandhi)

As duas frases acima, nos remetem a pensar sobre a força que tem o perdão. Será que estamos fazendo isso em nossas vidas? As vezes é muito difícil perdoar. Mas o esforço deve ser diário para alcançar essa virtude. Pois, como Gandhi, pregou, o perdão é virtude dos fortes. O perdão é uma arma poderosa, que afugenta o medo e liberta alma, como disse Nelson Mandela. Peguei essas duas frases acima, pois, ambos os personagens da história recente da humanidade foram torturados e injustiçados pela tirania daqueles que enxergaram na intolerância e a na violência uma ferramenta de opressão a luz da verdade.

Onde não impera o perdão, a tolerância, impera a guerra. Esses dois personagens acima, foram responsáveis pela pacificação de seus países. Ambos, cada um em seu tempo, receberam o Nobel da paz por suas virtudes, sobretudo, pela capacidade de perdoar o outro. Esses foram Mandela e Gandhi. Agora pergunto a vocês: acabara a violência do mundo depois da passagem dessas pessoas? Acabara a violência depois de exemplos tão emblemáticos? Não. Infelizmente não. Às vezes, parece-me que as coisas pioraram. Vejo intrigas, violência e guerras acontecendo via satélite, ao vivo, em canais de televisão. Sem querer culpar, mas, os temas novelescos que inundam as TVs brasileiras giram em torno disso o tempo todo.

Além de outros adjetivos, pouco louváveis, os dramaturgos brasileiros, com algumas exceções, parecem estar vivendo uma crise de criatividade profunda, com novelas cada vez mais previsíveis e repleta de personagens sem nenhuma personalidade. Ok. Isto vende, talvez seja o mundo que seja assim. Pois, se há novelas e filmes nesses contextos, é porque há público para esse tipo de telenovelas, séries e filmes. Contudo, nosso objetivo aqui, não é discutir a teledramaturgia, tão pouco a indústria, e sim, como a dificuldade de perdoar pode influenciar no ambiente profissional.

Sim. No ambiente profissional, de competição cada vez mais acirrada, o individualismo engole qualquer virtude que uma pessoa pode ter, se esta, não estiver bem preparado para não ser influenciado por mentes “ambiciosas”. Ambição entre aspas, pois não é errado ser ambicioso, errado é fazer qualquer coisa, inclusive subir nas pessoas, para chegar a um posto, cargo desejado. Errado é enganar alguém e se fingir de morto quando é descoberto. Porém, isso acontece muito no ambiente profissional. Muitas pessoas com esse perfil, malicioso, leva outras a ruína sem nenhum peso na consciência. As vezes pelo desejo de subir na vida, outras vezes, o que é pior, pela simples vontade de ver o outro cair, descer rolando ladeira abaixo. Pessoas que desejam o mal para outras pessoas.

E ai? Você como líder, como personagem intrínseco nessa história. O que fazer, quando membros de sua equipe estão se digladiando em sua frente. Demite os dois? Para servir de exemplo? Parece-me que essa é a saída mais simples, e não tem muito haver com o que estamos conversando aqui. Embora ensine através do exemplos, as pessoas envolvidas na intriga, na maioria das vezes não aprenderam nada, e vão continuar cultivando plantas daninhas por onde passarem. Creio que uma situação como essa é um bom motivo para exercer a capacidade de perdoar e ensinar. Podemos pensar em uma saída menos drástica e mais compreensiva, chamando os envolvidos para uma conversa franca e apacentadora.  Pois assim que Mandela mudou o destino da África do Sul, perdoando seus maiores inimigos. Perdoando aqueles que lhe apedrejaram. Da mesma forma, Gandhi, também na África do Sul, mas, sobretudo, anos mais tarde na Índia. Perdoando aqueles que não lhes dava o direito de serem hindus. Parece-me que o que esses dois grandes líderes, deixam um recado maior, que, ao perdoar nossos inimigos, estamos mostrando um poder maior de libertação contra a tirania daqueles que se oprimem e que expuseram essas questões no ambiente de trabalho.

Um líder capaz de perdoar situações assim, sobretudo, nesse momento de crise, onde muitas pessoas estão vivendo sobre a pressão de dívidas, de crises psicológicas causadas por uma crise financeira profunda que assola o país, é um líder que traça um exemplo melhor para todos os envolvidos na empresa. É um líder que luta pela integração do time, não pela exclusão de membros do time que estão em conflito. É um líder apaziguador, cujas ações geram engajamento a causas maiores. Que aproveita de oportunidades, mesquinhas, medíocres, até infantis, para mostrar maturidade e ganhar ainda mais admiração de seus liderados. Logo saber perdoar, é mais do que uma atitude humana, é também uma atitude que pode gerar motivação na equipe, pode nutrir as pessoas de humildade e fazê-las crescer junto com as outras. Todo mundo sai ganhando quando alguém, de alma livre, promove o perdão.

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