Superficialidade e conflitos no ambiente do trabalho

O conflito não é entre o bem e o mal, mas entre o conhecimento e a ignorância. (Buda)

Como gerenciá-los? Está ai uma grande pergunta. Em um mundo cada vez mais  individualista, onde os valores da sociedade estão cada vez mais pautados em conquistas de bens materiais como construção de suas personalidades, e, que, para tal projeto de vida materialista, as pessoas lutam diariamente entre si, isto é, competem entre si por um pedaço dessa cultura que se instalou e se consolidou no espírito das pessoas, que valorizam cada vez mais coisas, marcas, objetos, bens, do que pessoas cujo o foco é o Ter no lugar de Ser. E, por isso mesmo, cada vez mais se prolifera a inveja, o ciúme, que leva sempre a competições desleais, fofocas e quaisquer outras toxinas que podemos imaginar dentro do ambiente de trabalho. Logo percebemos, que gerenciar pessoas no Século XXI, não é somente gerenciar suas competências técnicas, mas sim, seus desvios psicológicos gerados por uma sociedade cada vez mais midiatizada por esses valores subterrâneos.

superfialidade

Midiatizadas, pois, poucos lêem e por isso são refém da indústria cultural que é distribuída através dos meios de comunicação de massa e reforçados nas redes sociais, tornando-se uma grande esfera simbólica que destrói e constrói pseudo identidades todos os dias. O que quero dizer, é, que o conteúdo que é veiculado em novelas, filmes, séries, programas de TV, valorizam comportamentos e valores sociais que privilegiam essa característica individualista, competitiva, desumanizada em sua “programação” e que são potencializados na propaganda em comerciais de grandes marcas, valorizando esse olhar de grandeza em seus filmes e merchandising, que são fortalecidos sutilmente pela publicidade em jornais e revistas impressas e eletrônicas. Em  telejornais,  com matérias sobre decoração, vida e saúde “perfeita”, e nas mídias sociais eletrônicas, isto é,  nas Redes Sociais, nos Blogs, Vlogs, Sites especializados que consolidam um jeito de viver que privilegia, cada vez mais um olhar para o Ter como justificativa para o Ser “perfeito”.

De crianças a adultos, todos, de um jeito ou de outro estão conectados nesse processo midiático. Mesmo quando não queremos, acabamos impactados, pois a mensagem já atingiu milhares de pessoas que como evangelizadores são os porta vozes dessa sociedade de produtos que devoram suas almas sem e seus espíritos, sobretudo, o tempo(vida) sem que se dar conta disso. Religiosos fazendo suas preces em vitrines nos Shopping Centers. Bem, gerenciar pessoas que pautam suas vidas à esse modelo mental? Bem, a questão não é fácil, mas, aquele cuja incumbência fora gerenciar pessoas, equipes, etc., deve em primeiro lugar conhecer todos os membros do grupo. Embora os parágrafos acima foram escritos em tom de crítica, a ideia fora somente apresentar como se apresenta a sociedade no terceiro milênio, para que possamos traçar um perfil das pessoas que vamos trabalhar juntos, sobretudo, reconhecer e contextualizar seus anseios para que possamos entender, compreender e se necessário desconstruir algumas crenças dos membros de sua equipe.

A questão é: não existe sociedade perfeita. Porém, podemos fazer um esforço para abrir os olhos das pessoas para outra realidade, sobretudo, quando essas estiverem no ambiente de trabalho, pois,  a maioria dos problemas que se dão no ambiente profissional, que envolvem pessoas, estão relacionados a picuinhas, mesquinharias, proveniente de conversas medíocres que geram inveja e fofocas desnecessárias, motivadas, na maioria das vezes pela inveja que um tem do outro, seja pelo carro, pela casa, pela viagem, seja por qualquer coisa  que permita que um tente mostrar que é melhor que o outro, quase sempre, do ponto de vista do ter. Voltando, os valores de sucesso estão diretamente associados ao Ter nessa sociedade. E isso não é nenhum segredo e nenhuma novidade. Concordar com isso é outra história. Cada um tem sua opinião sobre isso e deve refletir se isso é saudável, porém, quando essa questão avança para dentro de uma equipe ela pode ser o motivador de conflitos.

Nesse sentido, o papel do líder é desconstruir tais valores, sobretudo, para aqueles cuja fixação é tão grande que acaba escapando sua filosofia de vida egocêntrica e prejudicando a equipe. Não desfazendo de suas conquistas, mas mostrando-lhe que elas são suas e não precisam ser divulgadas aos cântaros com um pavão no cio. O silêncio, a modéstia, sempre foi o caminho mais adequado no convívio das pessoas. E essa é uma condição ideal para que as pessoas trabalhem em harmonia e em paz. As vezes, essa pessoa pode até ajudar seus colegas( caso elas peçam) dividindo experiências que deram certo em suas vidas, servindo daí como ponte para outras pessoas para um conhecimento ( financeiro por exemplo) que outras pessoas não tem, e ao invés de ser um provocador de brigas, essa pessoa será o provocador de sorrisos. Servir as pessoas de boas práticas, só pode gerar bons relacionamentos.  Logo, o líder deve estar atento para esses comportamentos e tentar buscar a união entre as pessoas, através de um processo lento e sutil de educação para as boas práticas. Para isso, o líder deve ser o exemplo de pessoa humildade e servidora, se for um bom comunicador e orientador, influenciara as pessoas a conhecer novas filosofias de vidas, por assim dizer, mais ricas de conteúdo e amor pelas pessoas, de experiências mais profundas do que um olhar fixo para uma vitrine no shopping no final de semana. Pense nisso.

 

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